15 janeiro, 2008

Parábola do Sorvete

Certa vez levei meu filho de seis anos a um restaurante. Ele perguntou se podia dar Graças. Quando concordei, ele disse:

- Deus é bom. Deus é maravilhoso. Obrigado pela comida. Eu ficarei ainda mais agradecido se mamãe me der sorvete como sobremesa.E liberdade e justiça para todos! Amém!

Junto com as risadas dos outros clientes, escutei uma mulher comentar:

- É isso que está errado com este país. As crianças de hoje não sabem nem rezar. Pedir sorvete pra Deus! Eu nunca vi isso!

Escutando isso, meu filho banhou-se em lágrimas e me perguntou:

- Eu fiz uma coisa errada? Deus está zangado comigo?

Enquanto eu o abraçava, assegurava-lhe que ele havia feito uma oração maravilhosa, e que Deus, com toda certeza, não estava zangado com ele. Um cavalheiro mais idoso aproximou-se da mesa, deu uma piscada para meu filho e disse:

- Eu fiquei sabendo que Deus achou que foi uma grande oração.

- Mesmo? Perguntou meu filho.

- Dou a minha palavra - o homem respondeu.

Então num sussurro teatral ele acrescentou (indicando a mulher cujo comentário havia desencadeado aquelas lágrimas):

- Que pena que ela nunca tenha pedido sorvete a Deus.

Às vezes, um pouco de sorvete faz bem à alma. Naturalmente, eu comprei sorvete para meu filho, no fim da refeição. Ele olhou fixamente para o seu, por um momento, e então, fez algo do qual me lembrarei para o resto de minha vida. Pegou o seu sundae e, sem uma palavra, caminhou na direção da mulher, e o colocou em frente a ela. Sorrindo, disse-lhe:

- Olha, este sorvete é para você!

Sorvete às vezes é bom para a alma.

(Pr. Afonso Hilar)

Nenhum comentário: